terça-feira, 15 de março de 2011

Educação e Segurança Pública

    Conhecedores das estruturas das relações humanas, foram os gregos os primeiros a se preocuparem com a formação do homem e do cidadão, o que proporcionou a Grécia o título de berço da educação Formal.
A formação integral e consciente do ser humano, foi uma das problemáticas levantadas por esta civilização, foi na Grécia que pela primeira vez se pensou sobre a educação de crianças como meio de formar o individuo amadurecido de espírito, moral e físico atuante e criativo na sociedade, um cidadão. Para os gregos a educação age no espírito, nas mãos e nos pés, somente trabalhando o ser humano nos aspectos globais (corpo e mente) pode se atribuir a palavra formação para a educação.Platão, filosofo grego, foi o primeiro a usar a expressão formação ao se referir ao ato de educar.


    Com o desenvolvimento da sociedade, a educação perdeu seu caracter formador e passou a ter caracter adestrador, cuja principal função é criar mão de obra qualificada para a indústria e o comércio ( lembrando que atualmente saúde e educação também são comércios), homens e mulheres escolarizados para agir sem pensar, trabalhar sem questionar, aceitar o conhecimento como algo pronto e acabado, o pensamento criativo não faz parte da vida da grande massa humana. Muitos pais preferem matricular seus filhos em escolas que os adestrem para o vestibular, formam competidores do mercado de trabalho.Cada vez mais crianças são lançadas ao mundo alienado do consumismo por seus pais e professores que por serem mal formados, não somente em suas escolas mas também em sua formação do caracter humano, incentivam a crença que o mais caro ou aquilo que ele não podem comprar é o melhor, que seu valor está baseado no que possuem ou demonstram possuir,  criando uma geração de frustrados individualistas ao passo que a educação destas crianças deveriam ser focada na vida em sociedade,  no respeito ao próximo, no pensar e agir criativo e consciente de sua ação transformadora desta sociedade.  

    Felizmente há um questionamento crescente sobre a educação de nossas crianças que nos remete ao conceito de formação de Platão, provocando a reformulação da ação educativa, baseando esta na construção do pensamento criativo e criador, formando indivíduos conscientes de seu papel social. Profissionais se preparam para contribuir na formação de crianças para  a vida em sociedade, para viverem de forma plena e consciente de sua função de agente transformador do mundo, focado  no respeito ao próximo e a si mesmo como individuo único e pleno. É um trabalho lento em uma sociedade talhada pelo imediatismo, mas que já se iniciou, talvez daqui alguns séculos nossos netos ou bisnetos possam vislumbrar uma sociedade em que todos sejam capazes de pensar por si e trabalhar pelo bem comum, onde segurança pública não seja apenas uma expressão e sim um fato consumado.

Priscila Genaro é professora da rede municipal de ensino desde 1996,
Graduada em Licenciatura para o Ensino Fundamental pela USP
(Universidade de São Paulo).
Pós Graduada em Gestão Escolar

Um comentário:

  1. Ótima contribuição, Priscila. Obrigada.
    Faço apenas uma colocação: vc bem lembrou, devemos formar indivíduos conscientes de seu papel social. Porém é dever e responsabilidade de todos, assim como a segurança. Nâo só os profissionais da educação mas a família e suas comunidades devem entender o seu papel educador, ou reencontrá-lo. Devemos sim, formar profissionais voltados para sua missão de transformação mas sem uma mudança na forma de reeducar os profissionais que estão atuando nesse momento é atrasar ainda mais a realização do objetivo de uma vida plena em sociedade.
    Proponho, que nâo se preparem apenas profissionais para educar o nosso futuro "as crianças", mas também, principalmente, profissionais aptos a entender que precisam se reformular, se readquar, a encontrar o seu ideal de uma vida justa, digna, solidária. Pra nós e para nossos pequenos, pra vida toda. Abraços.

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